Capitão que estimulou atos golpistas é exonerado do gabinete da Presidência, mas ganha cargo até fim do governo

Capitão da ativa do Exército, Andriely Cirino, foi exonerado do Gabinete Pessoal da Presidência da República menos de um mês após o Intercept revelar que ele estimulava atos golpistas utilizando uma lista de transmissão no WhatsApp. O ato que desligou o militar do gabinete de Jair Bolsonaro foi publicado no Diário Oficial da União na última quarta-feira, dia 7, e vale retroativamente a partir do dia 2 de dezembro.

Apesar de sair da sala do presidente, Cirino manteve uma boquinha no Planalto até o fim do governo, faltando menos de 18 dias para seu encerramento. O capitão   foi nomeado para  uma vaga  na Secretaria-Geral da Presidência, comandada pelo general da reserva Luiz Eduardo Ramos, um dos militares mais radicais do governo Bolsonaro.

A nova função parece mais um cargo de consolação para o aliado. Caberá a ele “auxiliar na administração das residências oficiais da Presidência da República e planejar, coordenar e acompanhar a sua manutenção”, segundo nos informou a Secretaria-Geral, em nota. Com a mudança, seu salário foi reduzido quase pela metade: de R$ 3.411,33 no gabinete presidencial para R$ 1.301,76 – como não irá completar um mês no cargo devido à troca de governo, receberá ainda menos que isso. O salário do capitão no Exército é de R$ 21.010,05, de acordo com o Portal da Transparência.

A exoneração de Cirino se deu uma semana após o senador petista Humberto Costa pedir à Justiça Militar uma investigação contra as práticas denunciadas pelo Intercept e a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, cobrar publicamente o afastamento dele  no dia 30 de novembro, em um tweet. Desde o início dos atos antidemocráticos que põe em dúvida o sistema eleitoral brasileiro, o Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, passou a aplicar multas a golpistas, como caminhoneiros que bloqueiam estradas no país, além de suspender redes sociais de parlamentares entusiastas do movimento golpista.

No dia 11 de novembro, revelamos que Cirino, começou a usar uma lista de transmissão para disparar mensagens com conteúdos golpistas, negando o resultado das eleições presidenciais do segundo turno, além de conclamar manifestações antidemocráticas e levantar suspeitas — infundadas — contra as urnas eletrônicas. Entre as mensagens, havia reprodução de vídeos de milhares de bolsonaristas que estão há mais um mês acampados em diversos estados do país pedindo uma intervenção militar — o que é crime. A lista usada por Cirino para atentar contra a democracia havia sido inicialmente criada para divulgar informações profissionais a assessores dos Ministérios.

Quando foi procurado para comentar as mensagens, Cirino mentiu: negou que propagasse fake news ou atentasse contra a Constituição. Ele também não respondeu se enviava os conteúdos por ordem do presidente. O Planalto não se manifestou sobre o caso.

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